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Quarta-feira, Novembro 28, 2007

Sobre encontros e desencontros

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais
micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos,
chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados,
engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso
profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os
novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber
carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e
depois saber que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe essas coisas
simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer
tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.

Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber
como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia
fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de
relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:
"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!"
Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma
multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase
etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e
estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou
parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a
escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os
fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,
démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem
parecer ridículos, abobalhados, e daí?

Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e
falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não
volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por
você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali
estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz
que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é
pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de
negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que
adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é
continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode
desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer
pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um
dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não
pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo
resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

(Arnaldo Jabor)

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